quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O início de tudo!

Fevereiro de 2011

Levado por uma necessidade de me desinibir, para poder atuar melhor frente ao trabalho que exerço, procurei um curso de extensão de Teatro na Universidade São Francisco, em Bragança Paulista. 
Sempre gostei de arte, mas confesso, nunca passou por minha mente em fazer um curso de Teatro

Apenas acreditei que poderia me ajudar! 

Não tinha a menor idéia do que isso iria causar dentro de mim!

Começamos com um grupo de 36 pessoas, terminamos em 15.

Os jogos apresentado por nossa diretora (Nair Cristina Pacheco), à frente do curso já ha alguns anos e atriz formada na E A D, e com passagem em novela da Globo (Marrom Glacê), nos preparava para o que viria pela frente. 

Exercícios cênicos de improviso. 

Exercícios para soltarmos o corpo, sensibilização, exercícios para estar em contato com todos os demais.

Lembro o dia em que a Maria (Nair), perguntou ao grupo - " quem não pretende subir ao palco para apresentar uma peça?", minha resposta, assim como a de alguns outros foi, "eu não sei se quero, não tenho a menor idéia do que seja isso".

O tempo foi passando, os exercícios cênicos se aprofundando, e fui me sentindo mais à vontade no Palco. 

E este por sua vez, apresentando seu magnetismo visceral.

Me convenci de que iria participar do que quer que fosse apresentado como proposta de uma peça.

Acabamos por montar uma peça desenvolvida por idéias apresentadas pelo próprio grupo. O tema apresentado "Felicidade" e algumas das suas nuances.

Enfim, em  08 de outubro de 2011, estreamos nossa peça "FELICIDADE"



Ainda hoje me acompanha a lembrança daquela sensação de estar no palco pela primeira vez.

Lembro de estar na coxia, de mãos dadas com minha parceira de cena, Meire Melo, olhos nos olhos, apreensão, mãos nervosas, e a dúvida se esqueceria o texto, enfim, toda a gama de sentimentos que deve acometer tantos outros que experimenta isso pela primeira vez.

Apesar que esta sensação se faz presente ainda hoje. Menos severa, mas ainda assim viva.

Entramos em cena Meire e eu, e apresentamos um texto inicial!

A medida que o texto foi saindo, fui ficando a vontade, confiante de que o tinha em minhas mãos!
Baixei os olhos, que até então fitava o infinito, e olhei na direção dos olhos do público, mesmo não conseguindo olhar com nitidez, mantive este olhar, tornando a platéia minha cúmplice. 
Confesso que fui tomado de uma energia visceral que me tornou confiante, e assim foi até o fim de nossa apresentação.
Procurei estar vivo, inteiro, verdadeiro em cada cena que participei!

Haaa!!! Nos divertimos muito!

Ai veio o final!

Os aplausos do público!

UAU!!!!

Nos aplaudiam em pé!

Até hoje guardo essa lembrança, de uma maneira viva, intensa!

E ainda hoje não consigo explicar o que senti!

Fiquei num estado de graça por um longo tempo após esse dia!

Parecia ter encontrado a droga perfeita, meu ópio!

Meu êxtase!!

E foi ai, a partir deste momento, e destas sensações tão intensas e verdadeiras que decidi que quero isso para mim, quero atuar,  quero os palcos, quero aprender a ser ator. 

Quero estar sempre em cena! 

Quero emprestar meu corpo, minha voz. 

Quero aprender a construir um personagem, dar corpo a ele, voz, expressão, medos e todos os sentimentos que for necessário para que ele tenha verdade.

Para que o público que assista ao espetáculo, acredite que na verdade deste personagem.

Quero experimentar tudo o que for possível nesta arte que me abraça e que abracei com toda a minha alma!

Mas acima de tudo quero provocar, questionar!

Não quero um teatro comercial.

"Mais do que o espetáculo, o teatro é um agente social transformador que, ao negar o sempre-igual-da-lógica-do-lucro da Sociedade Pós-Indústrial, aponta novos rumos para a convivência social.

Teatro é um espaço real, vivo, atuando na dinâmica social;e suas consequências são evidentes no seu entorno.

Por ser uma arte coletiva, o teatro implica num acordo de todos os artistas envolvidos em seu processo, em que todos se sintam possuidores de uma alma artista que, de uma forma ou de outra, se manifesta claramente na obra final.
Nenhum artista é livre no palco se não se sentir livre para fazer opções estéticas em seu processo."

Por: Ivam Cabral

 Ainda neste ano, em dezembro, por indicação de uma amiga, Duda Fagundes, fui conhecer a Residência Antonin Artaud, em Atibaia. Dirigida pelo, hoje, meu amigo Wellington Duran.

E que vinha com a proposta de uma oficina, Arte em Parceria, e que acabou se tornando um espetáculo.
Acabamos por contagiá-lo a tal ponto que não houve outra possibilidade.

E para lá fomos, eu, Meire Melo, Ricardo D'Marques, Marcela Galdino e Duda Fagundes. Meus queridos amigos, cúmplices nesta viagem Teatral, bem como outras pessoas que formou este projeto.

Bem...

Mas isto é uma outra história que contarei em uma outra oportunidade.


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